Após a II Guerra
Mundial teve inicio o processo de independência dos países africanos e
asiáticos, conhecido como descolonização.
Estes movimentos tiveram sucesso devido ao enfraquecimento das potencias europeias
pós-guerra que não tiveram forças para impedir a independência das novas
nações. Em muitos casos foram extremamente violentas; em outras não.
A Independência da
Índia
A resistência do povo indiano a
dominação inglesa teve inicio em meados do século XIX, com a revolta dos
Cipaios, mas só ganhou força após o término da I Guerra Mundial. Por causa do
conflito, houve aumento generalizado dos produtos e a miséria tomava conta do
país. Cerca de 85% da população indiana passava fome ou era vitima de doenças.
Além disso, os impostos cobrados pelas autoridades inglesas eram elevados. A
situação agravou-se após 1919, quando a Inglaterra promulgou um conjunto de
leis que tinham como objetivo diminuir os direitos civis da população. Ao
receber a noticia, Mahatma Gandhi liderou uma greve geral que paralisou as
atividades econômicas na Índia. Começava dessa maneira, a ganhar forma o movimento
emancipacionista. Defendendo métodos
pacíficos de resistência, como a não violência e a desobediência civil, Gandhi
conquistou com o tempo apoio popular e respeito internacional. A resistência
pacifica através da desobediência civil consistia em boicotar tudo que fosse
inglês, desde as mercadorias, escolas, universidades, além de não pagar mais os
impostos. Caso fossem reprimidos, os manifestantes não deveriam reagir, pois
Gandhi defendia a não violência como meio para atingir seus objetivos. Em
virtude da grande pressão popular, dos boicotes aos produtos ingleses e a
própria Inglaterra está em crise econômica após a II Guerra Mundial, surgiram
entre os ingleses defensores da independência da Índia. Em 1945, os ingleses se
retiravam da Índia.
Porém, a Índia se encontrava
dividida em duas propostas: todos os líderes do país tanto da Liga Muçulmana,
como do Partido do Congresso concordavam que deveria ser criada uma nação para
os hindus e outra para os muçulmanos, menos Gandhi que defendia a ideia de uma
Índia unida e com tolerância religiosa. Em agosto de 1947 foram declarados
independentes a Índia, de maioria hindu e o Paquistão, d maioria muçulmana. No
ano seguinte Gandhi seria assassinado por um extremista hindu. Os conflitos
religiosos e a intolerância levariam a independência do Sri Lanka, em 1948
(antiga Ilha do Ceilão de maioria budista). Após a independência e a divisão do
país, as reações entre Índia e Paquistão foram de permanente hostilidade. A
Guerra Fria ajudou a acirrar ainda mais os conflitos: o Paquistão se aproximou
dos EUA e a Índia da URSS. Outro complicador foi à região da Caxemira, ao norte
da Índia. Em 1947, o marajá da Caxemira concordou com a anexação à Índia. O
Paquistão, no entanto, reivindicou a região, alegando que 80% da população era
de muçulmanos. Os dois países entraram em guerra entre 1947 e 1948, resultando
na divisão da região. Atualmente cerca de 2/3 do território pertencem à Índia e
1/3 ao Paquistão. Para complicar a situação nenhum país aceita em ceder sua
parte e, ambos ingressaram no clube atômico, ou seja, ambos detêm a bomba
atômica.
A Revolução Chinesa
No inicio do século XX a China
era um país monarquista e industrialmente atrasado. Nessa época, a população
estava cada vez mais descontente com a conivência do monarca com a exploração
imperialista que os ingleses praticavam na China. Dessa forma, os nacionalistas
republicanos, liderados por Sun Yat-sem, depuseram o imperador e instauraram a
república no país. Em 1921, foi fundado o Partido Comunista da China (PCC),
liderado por Mao Tse-tung. Em um primeiro momento nacionalistas e comunistas se
uniram para impedir a volta da monarquia. Entretanto, a partir de 1925, os dois
partidos começaram a trilhar caminhos diferentes. Os nacionalistas, agora sob a
liderança de Chiang Kai-chek se aliaram aos conservadores, principalmente
latifundiários e burgueses. Os comunistas, por sua vez se alinharam a URSS, que
mantinha sua politica de expansão por áreas de influencia. As disputas entre
nacionalistas e comunistas provocaram uma guerra civil. A atuação do PCC foi
considerada ilegal os comunistas passaram a ser perseguidos. Liderados por Mao
Tse-tung, os comunistas iniciaram a chamada Longa
Marcha para o norte do país e começaram a se reorganizar. Adotando uma nova
estratégia, eles buscaram o apoio dos camponeses e organizaram um exército, que
além das funções militares fazia propaganda dos ideais socialistas em todo o
país. Em 1946, nacionalistas e comunistas entraram novamente em conflito,
retomando a guerra civil. Em 1949, Mao Tse-tung e suas forças conquistam a
capital Pequim e proclamam a República Popular da China, assumindo o poder no
país e implantando um regime socialista.
Inspirados na experiência
soviética, em 1953, o governo chinês pôs em prática seu primeiro plano
quinquenal, cujo objetivo era transformar a China em uma nação industrializada.
As metas estabelecidas foram atingidas. Com a coletivização do campo no final
do ano de 1956, as recém criadas cooperativas agrícolas respondiam por 90% da
produção. Por essa época, os bancos, as grandes indústrias e o comércio já se
encontravam estatizados. Em 1958, o governo chinês lançou o segundo plano
quinquenal, conhecido como Grande Salto
para Frente, que pretendia transformar a China em um país
desenvolvido. Porém, o resultado do
Grand Salto foi desastroso e resultaram em grande fracasso. Mao passou a
criticar então o grande aliado a URSS. As diferenças ideológicas e politicas
colocaram os governos de China e URSS em colisão. Em 1960 o governo chinês
rompe com a URSS, que retiram seus consultores técnicos do país. O fracasso do
Grande Salto e o rompimento com a URSS abalou o poder de Mao Tsé-tung. Em 1966,
mesmo não estando mais na presidência do país ele conseguiu apoio da Guarda
Vermelha e deu inicio a Revolução
Cultural. As principais propostas do movimento estavam em modificar os
costumes tradicionais dos chineses, substituindo por valores do proletariado;
banir as influências burguesas do capitalismo e da cultura ocidental;
combater e eliminar os burocratas do governo;
melhorar a estrutura do ensino e promover a união do trabalho manual e
intelectual. Mao pretendia construir uma China onde os valores individuais
dessem espaços aos valores coletivos, uniformizando o país. Porém, houve forte
perseguição e opressão aos opositores. Intelectuais e cientistas foram acusado
de inimigos do povo, templos religiosos, livros e obras de artes foram
destruídas.
A Revolução Cultural
desorganizou a economia d país. Em 1976, ano da morte de Mao, os novos
dirigentes do PCC puseram fim a Revolução Cultural e adotaram a política das Quatro Modernizações (agricultura,
indústria, defesa nacional, ciência e tecnologia). O novo líder Deng Xiapoping,
deu inicio a essa política, que aos poucos abriram a economia chinesa para o
mundo e permitiram o surgimento de áreas regidas pelas leis de mercado e não
pela ação do Estado. Formou-se assim, a chamada economia socialista de mercado, que em sido responsável pelo
crescimento da China desde então.
A Guerra das Coréia
A Guerra da Coréia, em 1950, foi
um marco da Guerra Fria. A península coreana havia sido invadida pelo Japão
durante a II Guerra Mundial. Guerrilheiros comunistas coreanos combateram os
japoneses. Após o término da guerra, os líderes dos EUA, Inglaterra e URSS, na
Conferência de Yalta e Potsdam estabeleceram que a península coreana fosse
divida ao meio, no paralelo 38. A parte norte ficaria sobre a influência
soviética e o sul apoiado pelos EUA. Na parte norte da península, com apoio
soviético e sob a liderança de Kim Il Sung, surgiu à República Popular da
Coreia ou Coreia do Norte de regime comunista. Na parte sul, capitalista, foi
criada a Coreia do Sul. O paralelo 38 dividia os dois lados. No entanto, com
estimulo de Stalin, a Coreia do Norte invadiu o sul em junho de 1950 com o
objetivo de unificar a península sob o regime comunista.
O governo estadunidense não
aceitou a invasão. Com apoio da ONU constituiu um exército com soldados de
diversos países, embora a maioria fosse dos EUA. As tropas inicialmente
impediram o avanço dos norte-coreanos e, em contraofensiva, avançaram para o
norte. O objetivo era derrotar os norte-coreanos e unificar as Coreias,
excluindo os comunistas. Os chineses avisaram que iriam intervir na guerra caso
isso acontecesse. Em novembro, as tropas estadunidenses se encontravam em
Pyongyang, capital da Coreia do Norte, porém, foram surpreendidos pela entrada
da China no conflito. As tropas dos EUA tiveram que recuar e, dois meses
depois, estavam novamente defendendo o paralelo 38. Em 1951, com o equilíbrio
de forças, ficou estabelecida a existência de duas Coreias: a do norte comunista;
e a do sul capitalista. Em julho de 1953, foi assinado um armistício. Mas
jamais foi assinado um acordo de paz. A situação na fronteira dos dois países é
tensa até hoje.
A Guerra do Vietnã
Situada no Sudeste asiático, a
Indochina era uma colônia francesa desde o final do século XIX. Depois da II
Guerra Mundial, no entanto, ganhou força o movimento pela independência do
país, comandado pelo líder comunista Ho Chi Minh. Após anos de lutas, em 1954,
os franceses foram derrotados e abandonaram a região. Nesse mesmo ano, na
Conferência de Genebra, a Indochina foi divida em 4 países: Laos, Camboja,
Vietnã do Norte (comunista) e Vietnã do Sul (capitalista). A divisão do Vietnã
em dois era motivo de grande insatisfação popular, porém as manifestações pela unificação
eram reprimidas com violência pelo governo do Vietnã do Sul. Teve inicio então,
uma luta pela unificação, movida pelos vietcongues,
nome dado aos revolucionários comunistas, tanto no norte, como no sul, que
eram liderados por Ho Chi Minh.
O governo dos EUA, por sua vez,
temia que o Vietnã fosse unificado sob um regime comunista, o que ampliaria a
área de influência da URSS na Ásia. Por isso, no começo dos anos 1960, os EUA
envolveram-se diretamente no conflito, enviando mais de 500 mil soldados para
os campos de batalha no Vietnã, além de uma grande quantidade de armamentos. Os
vietcongues, no entanto, conheciam muito bem a região onde viviam e levavam
vantagem sobre os soldados estadunidenses nas guerrilhas, pois se deslocavam
com grande rapidez nas florestas e armavam emboscadas fatais contra os soldados
inimigos. Diante dessas dificuldades, o governo dos EUA apelou para o uso de
modernos equipamentos de guerra e armas químicas. Assim, milhões de litros de
veneno (agente laranja) e de bombas incendiárias (napalm) foram jogadas em solo
vietnamita com o objetivo de desmatar as florestas e dificultar a guerrilha.
Apesar da desigualdade de recursos, os
vietcongues resistiram ao poderio militar dos EUA e, em 1975, depois de dez
anos de conflitos, tomaram Saigon, a capital do Vietnã do Sul. Nesse mesmo ano,
o governo estadunidense ordenou a retirada das tropas do país e o Vietnã foi
unificado, formando uma república socialista.
A Guerra do Vietnã foi a
primeira a ser completamente televisionada. Os combates eram filmados no Vietnã
durante o dia e transmitidos nos EUA à noite, chegando a todos os lares. Esse
foi um dos fatores que desencadearam os movimentos contrários à guerra. Por
meio das imagens veiculadas, as pessoas conseguiam ter uma ideia do que estava
acontecendo naquele país e começaram a questionar a validade da interferência
dos EUA no Vietnã. Além disso, muitos soldados que foram feridos em combate
retornaram aos EUA relatando os horrores que aconteciam no Vietnã. Junto aos
estudantes, artistas e outros grupos sociais, vários veteranos tiveram papel
ativo nas manifestações pela paz e pelo fim da Guerra do Vietnã. Ao fim do
conflito, cerca de um milhão de vietnamitas tinham morrido e havia milhares de
pessoas feridas. As cidades estavam destruídas e s áreas rurais arrasadas por
armas químicas, minas terrestres e bombas. O país teve que enfrentar grandes
dificuldades econômicas, agravadas por um embargo econômico imposto pelos EUA
que durou cerca de 20 anos.
O Oriente Médio
A região que chamamos de Oriente
Médio, corresponde à parte ocidental da Ásia. Com cerca de 270 milhões de
habitantes, os povos do Oriente Médio são formados por diferentes etnias. Na
região são falados seis idiomas e professadas três grandes religiões. O islamismo é a que concentra
numericamente o maior número de fiéis. Os muçulmanos como são chamados
dividem-se em sunitas (mais moderados) e xiitas (mais radicais) no diz respeito
à compreensão da autoridade religiosa islâmica. O maior império islâmico do
século XX, o Turco Otomano, foi desmembrado após a I Guerra Mundial. Pelo
Tratado de Sevres (1920), ficou decidido que os países sob o domínio otomano
teriam a independência reconhecida, mas sob controle europeu. Assim, a
Inglaterra ficou responsável pelo Iraque e pela Palestina, enquanto a França
assumiu o controle da Síria e do Líbano. Os demais países se tornaram
independentes. Os povos que constituem o Oriente Médio possuem alguns elementos
que lhes dão uma identidade comum. É o caso das sociedades que falam a língua e
partilham os valores da cultura árabe. Outro fator de unificação é a religião
islâmica. Mas existem árabes que não são muçulmanos, como também há muçulmanos
que não são árabes, como os turcos e iranianos, por exemplo. Além disso, os
povos da região compartilharam a experiência da submissão a potências
estrangeiras. Não faltaram disputas politicas entre os povos do Oriente Médio,
além da tradicional rivalidade entre sunitas e xiitas, agravadas no caso
libanês, pela presença de uma minoria cristã, o grande inimigo dos países
árabes no Oriente Médio pós-guerra sem dúvida foram os judeus, o que envolve a
questão da Palestina.
A Palestina no inicio do século
XX fazia parte do Império Turco-Otomano. Com o final da I Guerra Mundial e a
derrota dos turcos, foi instalado um mandato britânico para a administração da
região. Os líderes do povo árabe, que era majoritário na Palestina, assaram a
negociar com os britânicos a possibilidade de construírem um Estado
independente. Nesse período também ganhou força o Movimento Sionista, promovido por judeus europeus que reclamavam o
direito de constituírem Estado judaico. Muitos deles argumentavam que seus
ancestrais viveram durante muito tempo na Palestina até serem expulsos pelos
romanos, no século II. Com o objetivo e estabelecer na Palestina, judeus de
vários lugares do mundo passaram a migrar para a Palestina, porém os palestinos
não aceitavam a imigração judaica, pois associava esse processo à manutenção do
domínio britânico. No final da II Guerra Mundial, grande parte da comunidade mundial, chocada com o holocausto nazista, passou a
apoiar o movimento sionista e a criação de um Estado judeu. Diante disso, a
ONU declarou em 1947, que o território da Palestina seria divido dois Estados
independentes: um palestino e outro judeu. EUA e URSS apoiaram a decisão, pois
desejavam diminuir a influência britânica na região. Ainda em 1947, os ingleses
se retiraram da Palestina. Em maio de 1948, foi
criado o Estado de Israel. Porém, os países árabes não aceitaram a
criação do Estado judaico e atacaram o novo país. Mais bem preparado, o
exército israelense saiu vitorioso e Israel ampliou seus territórios sobre as
terras onde viviam milhares de palestinos. Os EUA deram total apoio a Israel,
que em contrapartida, se tornou o maior aliado dos estadunidenses no Oriente
Médio. Os países árabes se uniram contra Israel, gerando novos conflitos:
Guerra de Suez (1956-57); Guerra dos Seis Dias (1967) e Guerra do Yom Kippur
(1973). Todas elas vencidas por Israel que tomou territórios do Egito, Síria e
Líbano, além de passar a controlar os territórios destinados aos palestinos. Em
1964, os palestinos liderados por Yasser Arafat criaram a OLP (Organização para
Libertação da Palestina). A OLP escolheu como estratégia a luta armada com o
objetivo de destruir Israel e expulsar os judeus da Palestina.
Outra situação delicada no
Oriente Médio foi provocada pela Revolução
Iraniana de 1979, que marcou pela primeira vez a ascensão de muçulmanos
xiitas ao poder. No Irã, os xiitas são maioria. Em 1953, com apoio dos EUA, o
Xá Mohamed Reza Pahlevi passou a governar com poderes absolutos, reprimindo
qualquer oposição. Mantendo boas relações com os EUA, o objetivo do Xá era
modernizar o país e transforma-lo em uma potencia econômica e militar com a
venda de petróleo. O projeto de Pahlevi era ocidentalizar o Irã. Contudo, a
população iraniana não aceitava a imposição dos valores e costumes ocidentais,
como a liberação de bebidas alcoólicas, o jogo e das relações sexuais antes do
casamento. A partir de 1963, o Irã conheceu uma fase de crescimento econômico,
mas quem se beneficiava da riqueza era a pequena elite do país, os altos
funcionários das da economia. A partir de 1975, com o aumento da oposição sob a
liderança do líder espiritual Ruhollah Khomeini, o governo de Pahlevi tornou-se
mais autoritário. Mesmo assim, os protestos populares aumentaram e, no final de
1978, milhares de mullahs (sacerdotes das mesquitas) declararam guerra santa ao
Xá. Em dezembro 2 milhões de pessoas tomaram as ruas da capital Teerã protestando
contra o governo. Mesmo exilado na França, Khomeini decretou o fim da
monarquia. Reza Pahlevi deixou o país e em 1979, de volta a Teerã, Khomeini
proclama a República Islâmica do Irã. A Revolução Iraniana foi vitoriosa
contanto com imenso apoio popular. A partir daí, a revolução xiita se tornou
cada vez mais anti norte-americana, fazendo com que os EUA perdesse um forte
aliado no Golfo Pérsico.(Fonte:
História O mundo por um fio: do século XX ao XXI; p.202-274; Coleção Novo Olhar
História 3, p.146-149; História em movimento 3 , p.258-282).

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